Lenda Galo da Páscoa

Lenda Galo da Páscoa

Conta a lenda que…

Não se deve comer ave de capoeira no Domingo de Páscoa. E porquê? Diziam as mães e avós do antigamente que, “quando os fariseus tentaram e mataram Nosso Senhor, fizeram uma grande festa e mataram um galo muito grande” para o comer no final. Julgavam eles que ao matar aquele homem, que era muito sábio e tinha o bom poder para todo o mundo, ficariam a comandar tudo.

“Ficaram todos muito satisfeitos, mataram e fizeram o enterro. Um deles disse: já não te tiras dai, não! E o outro respondeu: não se pode tirar dalém debaixo, ele há de se tirar tanto debaixo do peso daquelas pedras como aquele galo que nós matámos e que temos além no tacho p’ra comer no fim disto tudo, depois de cozinhado, há de bater as asas no fundo do alguidar”, relata uma senhora natural da Mexilhoeira Grande no livro “Memórias de um Povo”, de Margarida Tengarrinha.

Certo e sabido foi que, quando estavam a celebrar, o galo começou a bater as asas, a bater as asas, a bater as asas… E eles ficaram apavorados.
Passou a Sexta-feira Santa, o Sábado de Aleluia, e no Domingo foram à procura do homem, que já lá não estava. “Como o galo bateu as asas, Jesus tirou-se de dentro da cova e debaixo das pedras que eles tinham lá posto e foi-se embora, foi para o céu”.
“Eles ficaram sem o poder e Jesus ressuscitou”. Por isso, desde essa data, as pessoas não comiam aves de pena no Domingo de Páscoa, optando pelo tradicional cabrito, pelo carneiro ou por peixe, numa associação que passou de geração em geração graças ao poder da oralidade e que ainda hoje se mantém nalguns lares.