
O engenho esquecido que a paisagem ainda conta
O engenho esquecido que a paisagem ainda conta
A Mexilhoeira Grande… quando a Cultura Sai à Rua
Rica em história, a Mexilhoeira Grande esconde muitos vestígios de ocupação humana. Hoje, nesta rubrica “A Mexilhoeira Grande… quando a Cultura Sai à Rua”, elaborada em parceria entre a Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande e o Museu de Portimão, revelamos-lhe que há por cá um muito antigo lagar.
O espaço, conhecido por Lagar do Vale Marinho, representa o testemunho das práticas agrícolas ancestrais na freguesia, ainda que não seja claro para que produto servia.
Tendo em conta vários fatores estudados acerca do nosso passado, é provável que dali tenha saido outrora vinho ou azeite.
Foi escavado na rocha (grés vermelho) e encontra-se implantado na vertente este de um cerro. Apresenta uma orientação norte – sul e uma inclinação sul – sudeste.
É composto por um tanque central (calcatorium) de tendência quadrangular com uma pequena depressão circular no seu fundo, que indica que era provavelmente utilizado para efeitos de limpeza.
No seu rebordo sul possui um estreito canal (bica) que comunica com uma pia oval (lacus), situada a uma cota altimétrica mais baixa.
Por sua vez, no lado norte do rebordo do tanque é possível observar uma outra cavidade de tendência trapezoidal ligada a um sulco vertical escavado do seu lado norte, que serviria como zona de encaixe da vara (prelum) do lagar.
Tanto o cultivo de oliveira como de vinhas era uma realidade do passado, sendo muito provável, por isso, que deste engenho, tenham saído um dos dois produtos que têm origem nestas praticas agrícolas: azeite ou vinho.
