
Lenda da Costureirinha

Lenda da Costureirinha
Conta a lenda que…
… pela noite dentro e na penumbra, se ouve o trabalhar de uma máquina de costura, a tesoura a cortar ou um dedal a cair no chão. E que os sons que interrompem o silêncio da noite são da alma penada da Costureirinha que, devido a uma promessa que ficou por pagar, percorre agora o mundo, de casa em casa, como forma de cumprir a jura.
Uns contam que a Costureirinha, habilidosa e, por isso, muito requisitada, cosia as peças à mão, mas queria muito comprar uma máquina de costura. Trabalhou, trabalhou até que conseguiu juntar a quantia necessária. Tempos depois, adoeceu e prometeu que se se curasse oferecia a máquina, o seu bem mais precioso, à Virgem Santa no final da sua vida. Só que confiou a entrega, já no leito da morte, a alguém que ao invés de a deixar na igreja indicada, a vendeu e ficou com o dinheiro.
Agora paga a promessa…
Outros garantem que a Costureirinha tinha muitas encomendas, mas ficou doente. Para se livrar do mal, prometeu acabar um vestido de noiva, mas nunca o fez. Ou que prometeu que faria um fato para o filho ir à tropa, mas morreu antes de o terminar. Há quem relate a promessa da oferta de um manto a uma igreja, para colocá-lo numa imagem, em troca da cura para a doença.
Noutras bocas por onde passou a história, há quem diga que a culpa foi da Costureirinha trabalhar dia e noite, incluindo domingo, desrespeitando este Dia Santo…
Versões há muitas, em vários pontos do país e além-fronteiras. Há quem jure ainda hoje, a pés juntos, que ouvia o tic-tic-tic da máquina a trabalhar pela noite dentro, incluindo os mais antigos da nossa freguesia.
Mas atenção, esta alma penada da Costureirinha não provocava medo. Às vezes, até era uma companhia para quem pela noite dentro, alumiadas por um candeeiro a petróleo, costuravam ou tinham outros afazeres.
O certo é que em todas as versões, a moral é idêntica. As promessas são para ser cumpridas e os dias santos são para ser respeitados. E desse lado? Há alguém que tenha ouvido a costureirinha?