A menina da chave e a capela que trazia chuva

A menina da chave e a capela que trazia chuva

A Mexilhoeira Grande… quando a Cultura Sai à Rua

As ruas e edifícios da Mexilhoeira Grande sussurram histórias de outros tempos, que passarão despercebidas aos mais distraídos, mas os filhos da terra conhecem-nas bem e transmitem-nas enquanto importante herança coletiva. Neste espaço, criado em parceria com o Museu de Portimão, recordamos Manuela Calado, uma das guardiãs da história recente da vila.
A Capelinha do Senhor dos Passos, lugar de que guarda belas recordações, destaca-se como uma referência para a comunidade e um dos espaços que marcaram o seu percurso de vida. E são algumas dessas memórias que aqui recontamos.

“Havia a Capelinha do Senhor dos Passos que, na Semana Santa tinha a porta aberta para o povo ir pagar promessas e levar garrafas e garrafões de azeite, que era para alumiar o Senhor dos Passos. O povo rezava nessa semana, geralmente a pedir chuva quando havia seca”, começa por dizer.

“Nessa altura, iam as mulheres que frequentavam sempre a Igreja Matriz, falar com o senhor padre, para o Senhor dos Passos, sair à noite. E o padre lá ia uma noite fazer a procissão e todo o povo, mais crente ou menos crente, ia na procissão. Ia correr aí a aldeia com as velas acesas. Diziam os antigos que quando o Senhor dos Passos voltava para a capela, já chovia”, recorda.

“Esta capela não era do Estado, mas sim particular, da família Castelo Branco. Os meus avós, da parte do meu pai, foram feitores dessa gente. A minha avó tinha a chave da capelinha, tínhamos que abrir para as pessoas irem lá rezar”, continua a relatar. Na Semana Santa, era a si que a tarefa era encomendada. “Desde pequena, oito anos, nove anos”, lá ia abrir a capelinha.

“E depois deixavam garrafas de azeite, eu estava por aqui e entregavam. A minha avó já era velhota, estava lá, o meu pai trabalhava, ninguém ia e vinha eu. E com o que é que eu brincava, aqui? Até virem rezar, brincava com meninas que iam ter comigo, que eu era muito brincalhona. Apanhávamos a florinhas, fazíamos coroas, uma era a rainha, outra era a princesa!”, conclui esta guardiã de memórias, partilhando estas memórias com todos. Se algumas destas recordações sobre a vila, conte-nos por email para comunicacao@freguesiamexgrande.pt