
Dia da Espiga: a manhã em que o campo se fazia altar
Dia da Espiga: a manhã em que o campo se fazia altar
A Mexilhoeira Grande… quando a Cultura Sai à Rua
Hoje trazemos à memória uma tradição que era bem comum na maioria das casas do país noutros tempos e que marcava também a população na Mexilhoeira Grande.
Nesta rubrica da Junta de Freguesia da Mexilhoeira Grande, em parceria com o Museu de Portimão, recordamos o Dia da Espiga, que se assinala, este ano, no dia 14 de maio.
Sendo uma data móvel, o Dia da Espiga assinala-se sempre na Quinta-feira da Ascensão, 40 dias após a Páscoa. Antigamente, neste dia, as pessoas iam ao campo, de manhã cedinho, apanhar plantas específicas para compor um raminho que era guardado ao longo de um ano em casa, até ao Dia da Espiga seguinte.
Apanhavam-se espigas, papoilas, malmequeres, raminhos de oliveira ou de videira e alecrim. Com cuidado, compunha-se um ramo que se colocava atrás da porta para dar sorte e prosperidade.
E sabia que, em algumas zonas, se associavam a espiga de trigo ou centeio à fartura de pão, o malmequer à riqueza, a papoila ao amor e à vida, a oliveira à paz, e o alecrim à saúde?
Esta tradição esteve sempre fortemente enraizada no sul do país. Era considerado o dia mais santo do ano, porque celebrava a subida de Jesus Cristo aos céus. Ao mesmo tempo, comemorava a primavera e daí achar-se que pode também remontar ao tempo dos celtas e romanos, que agradeciam aos deuses as primeiras colheitas do ano.
Com o cristianismo, a data terá passado a ficar mais associada à Páscoa, assinalando-se este dia como a Festa da Ascensão, que, em tempos, chegou a dar motivo para ser um feriado nacional.
Se tiver oportunidade, que tal manter esta tradição e, no próximo dia 14 de maio, tentar apanhar estas plantas e ramos para compor um raminho e guardar em casa?
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