Centro da Mexilhoeira Grande

Semana Santa sem pressa, o tempo da alma

Semana Santa sem pressa, o tempo da alma

A Mexilhoeira Grande… quando a Cultura Sai à Rua

Por estes dias recordamos neste espaço, criado em parceria com o Museu de Portimão, algumas memórias recolhidas em 2015, junto de residentes da freguesia e do Lar de São José de Alcalar.

Segundo os mais idosos, na Quarta-feira de Cinzas, o início da Quaresma, período de oração e jejum, assinalava-se com uma missa durante a qual o padre “benzia os fiéis com um óleo com cinzas”.

Durante esse período havia quem, como Isabel Justino, de Arão, rezasse, “quase sempre à noite”, umas vezes sozinha, outras com o marido e filho “o terçozinho, ao jantar”.
Também não se comia carne às refeições de quarta e sexta-feira, até à Semana Santa. “Na patroa onde eu estive servindo, na Quaresma, às sextas-feiras jejuava sempre a pão e água. Vinha a hora da refeição comia um pedaço de pão e eu levava um cucharro de água, punha ali ao pé dela”, recordava Glória Candeias, da Pereira.

A este respeito, Francisca Guerreiro, do Canafechal, acrescentava que havia uma opção para quem quisesse comer carne nesses dias. Podiam comprar “na igreja uma bula”. E o que era essa bula? Não mais do que “uma folha de papel”, comprada “ao senhor padre” que permitia que se comesse “carne nos outros dias todos, mas à sexta-feira não se comia”, garantia a idosa em 2015.

Passada que estava a Quaresma, chegava-se à semana anterior à Páscoa e diziam os seniores residentes do Lar de São José de Alcalar que era comum ouvir-se o dito popular: “Domingo de Ramos e na Páscoa estamos”, numa alusão à proximidade da data festiva.

Havia, em tempos idos, nessa data uma “procissão, pequenina”, na qual “o padre benzia os ramos de oliveira”, que eram religiosamente guardados em casa, referiam os idosos. E nos dias seguintes, na Semana Santa, as pessoas jejuavam entre quarta e sexta-feira, deixando de trabalhar na terra na quinta-feira ao meio dia. Antecipavam as tarefas para nesses dias santos não trabalharem, assegurava Agostinha Rodrigues, de Alcalar.